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Acordo sobre MP que revogou desoneração de 17 setores da economia será desafio nas votações pós-carnaval

A edição da MP depois que o Congresso manteve a desoneração provocou críticas entre deputados e senadores

 

Publicado em 20/02/2024 - 10:33

 

Deputados do governo e da oposição ainda estão em busca de acordo para a medida provisória (MP 1202/23) que reonera a folha de pagamento das empresas de 17 setores da economia. Caso aprovada, as empresas perdem o direito de pagar uma alíquota máxima de 4,5% sobre a receita bruta, e voltam a contribuir sobre a folha de salários.

 

A desoneração, que existia desde o governo Dilma e acabaria em 2023, foi prorrogada pelo Congresso, mas vetada pelo governo Lula. O Congresso derrubou o veto, restabelecendo a desoneração (Lei 14.784/23).

 

A MP, editada em seguida, prevê alíquota menor de imposto, a partir de abril, apenas para um salário mínimo por trabalhador e redução gradual do benefício até 2027.

 

Quem é beneficiadoOs 17 setores beneficiados pela desoneração são:

  • confecção e vestuário;

  • calçados;

  • construção civil;

  • call center;

  • comunicação;

  • construção e obras de infraestrutura;

  • couro;

  • fabricação de veículos e carroçarias;

  • máquinas e equipamentos;

  • proteína animal;

  • têxtil;

  • tecnologia da informação (TI);

  • tecnologia da informação e comunicação (TIC);

  • projeto de circuitos integrados;

  • transporte metroferroviário de passageiros;

  • transporte rodoviário coletivo; e

  • transporte rodoviário de cargas.

  •  

CríticasA edição da MP depois que o Congresso manteve a desoneração provocou críticas entre deputados e senadores. Isso porque, além de acabar com a desoneração, a medida provisória revogou outro benefício aprovado pelo Congresso, o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse). O Perse foi criado durante a pandemia de Covid-19 para socorrer o setor de eventos.

Mais de 300 deputados e senadores assinaram um manifesto pedindo ao governo a manutenção do programa. Além disso, os presidentes de 17 frentes parlamentares assinaram um documento pedindo a rejeição ou devolução da MP ao governo.

 

 

Equilíbrio fiscalO deputado Zé Neto (PT-BA), que participa da negociação entre o governo e o Congresso, defende a reoneração da folha de pagamento como maneira de aumentar a arrecadação e manter o equilíbrio fiscal dos gastos do governo, inclusive do pagamento de emendas parlamentares.

 

Em entrevista à Rádio Câmara, ele disse que, entre as medidas estudadas para compensar uma eventual manutenção da desoneração da folha, está a cobrança de imposto de importação de produtos de até 50 dólares.

 

Para Zé Neto, essa isenção gera prejuízo para a indústria e o varejo nacionais. "Perde o emprego, a produção, e a gente deixa de arrecadar", avaliou. "Talvez não seja cobrar os 60% de imposto de importação, mas cobrar algo que dê competitividade e que garanta equidade dentro do Brasil com o que vem de fora”, defendeu.

 

A negociação entre governo e Legislativo pode incluir a revogação do trecho da MP sobre reoneração das empresas e o envio ao Congresso de um projeto de lei sobre o assunto. O governo alega que a desoneração não cumpriu o objetivo inicial de aumentar o número de empregos.

 

Previsão de derrotaO deputado Zé Silva (Solidariedade-MG) defende a manutenção nos descontos e cobra do governo informações que sustentem a alegação. Segundo ele, se a medida provisória for votada em Plenário, será rejeitada por grande maioria.

 

Para ele, existem três alternativas: devolver a MP, votar a MP ou o governo propor um novo projeto. "Se colocar em votação, o resultado poderá ser aprovar a devolução com quase a unanimidade do Congresso Nacional", alertou.

 

TramitaçãoA medida provisória a validade em abril, se não for votada até lá. Ela precisa ser analisada por uma comissão mista composta por deputados e senadores antes de ser votada no Plenário da Câmara e do Senado. Até agora, no entanto, a comissão não foi instalada. E já foram apresentadas 165 emendas ao texto do governo.

 

 

Fonte: Agência Câmara de Notícias

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